Então perguntem a um menino se Noel realmente existe...
Os meninos sabem tudo!
Quem sabe quando foi a primeira vez que um menino ganhou um presente, seja por mérito ou simplesmente por ter sido escolhido para ser agraciado.
Quando foi que o primeiro pai ou avo teceu com carinho um brinquedo para uma criança querida?
Antes talvez até que a Lenda de Noel, O Bom Velhinho...
Antigamente era mais fácil ser Noel, quando o brinquedo, quem fazia era o pai ou o avo, o brinquedo feito á mão, cavalinho de pau, carrinho de madeira, bonecas de pano.
Mas foi com a revolução Industrial que houve uma grande evolução e os presentes já não eram mais tão simples assim.
A fantasia trazida pelo circo exigia de Noel maior engenhosidade para fazer bicicletas, tambores coloridos e tantas outras coisas mais.
Foi com a primeira guerra mundial que Noel chorou pela primeira vez, pois os meninos queriam tanques, aviões e bazucas... Era de partir o coração do Bom Velhinho, mas ele tinha que fazer e fazia, fazia e chorava, pois ele sabia que os pais dos meninos muitas vezes morriam ou ficavam mutilados, mas para evitar maior tristeza Noel os fazia.
Depois que acabou a guerra, Noel já cansado de ver morte e destruição esperou paciente até os homens acharem novamente o caminho, então Noel começou a entregar uns presentes, aparecia ora aqui, ora ali, entregando presentes no natal dos ricos, dos menos pobres, mas Noel não estava contente, pois tinha que muitas vezes passar ao largo nas casas de meninos pobres, mas que bem mereciam ganhar seus presentes, mas ele não podia os dar, pois a miséria no mundo foi crescendo, pela opressão do dinheiro e das oportunidades que eram poucas, Noel estava mais uma vez triste e impossibilitado de fazer o que mais gostava que era entregar belos presentes no natal aos meninos que se comportavam bem.
Os anos foram passando e os meninos cresceram e se tornaram homens, alguns destes homens-novos sempre quiseram que Noel os tivesse dado presentes, brinquedos ou que ao menos Noel trouxesse seus pais de volta, então estes homens-novos começaram a ver o mundo que eles nunca tiveram e ficaram com ciúme dos meninos bem sucedidos, viam carros, trens, aviões, viam o luxo e o poder. Noel sabia que estes homens-novos viriam a causar transtorno, Noel já havia visto outros meninos que não ganharam presentes no natal... Noel sabia. Os homens-novos então resolveram tomar a força o que não ganharam ganho, mais uma vez houve guerra, os lindos trenzinho, as bonecas e as bolas coloridas, dariam lugar outra vez aos tanques e as metralhadoras, Noel mais uma vez ficou arrasado.
Em algumas regiões os homens-novos já haviam tentado matar Noel para sempre uma vez. Durante esta nova guerra, Noel ficou em silêncio, poucos meninos teriam seus presentes, em algumas casas ele simplesmente se recusou a entregar brinquedos de guerra, os homens0novos também tinham seus meninos, e estes meninos, por sua vez, também viram seus pais morrerem, explodirem as casas de outros meninos, então estes filhos dos homens-novos se dividiram em duas partes, uma parte ouviu o pedido de Noel. Cessou a guerra e Noel ficou contente!
Pelo menos por um tempo. Os anos passaram e outra vez os meninos puderam sonhar com a meia recheada de doces, musica alegre e brinquedos!
Noel estava exultante! Os homens-novos estavam todos eufóricos eles inventavam uma coisa nova todo dia! Foguetes espaciais, televisão, skate!
Noel iria ficar famoso mesmo!
Noel estava contente mesmo e voltou a fazer o que mais gostava, aperfeiçoou mais uma vez sua fabrica de brinquedos, que maravilha. O plástico. Ah! Meninos danados! Estes filhos dos homens-novos eram mesmo meninos espertos!...
Noel sabia que esta alegria não duraria muito tempo, os homens-novos inventaram também uma coisa terrível, estupidamente mortal aqueles homens de antes, do final da guerra, quiseram se vingar dos meninos por terem persuadido Noel a parar a guerra, então tramaram para acabar com todos os meninos de uma única vez, e como se isto não fosse o bastante tentaram colocar a culpa em Noel!
Os homens-novos que nunca ganharam presente jogaram brinquedos coma morte dentro, e os pobres meninos iludidos com o sonho de presentes explodiam pelos ares e caiam doentes. Noel estava em todos os lugares, mas não podia fazer nada, Noel na TV, Noel no shopping center, Noel na China! E nada... Meninos mortos e homens-novos com tanto medo que mesmo vendo Noel por toda parte o ignoravam, pobre Noel, o que ela mais gostava de fazer estava matando os meninos...
Noel decidiu que não iria desistir, Noel não desiste nunca!
Então, num Natal quando eu também era menino, Noel movido por um sentimento que ele mesmo sendo Noel jamais houvera sentido, pegou um presente, o mais lindo dos brinquedos, que ele nunca havia dado a ninguém, chegou como de costume e colocou na arvore feita as escondidas por um menino, filho daqueles homens-novos que nunca haviam ganhado presentes e lhe deu um sonho, um alento, a possibilidade de todos se tornarem meninos como aquele primeiro menino e todos os outro de sempre e sempre, silenciosamente Noel depositou no coração daquele menino, e de todos os outro também!
A Esperança e a Liberdade, e hoje quando você tiver alguma duvida sobre a existência de Noel... Pergunte então a um menino.
Acácio de Macedo Souza
(1965 -2007)
Nada mais sincero que a palavra de um menino.
Meu pai foi um grande idealista e via o mundo sob uma perspectiva diferente da dos meninos de sua geração, ele sonhava e escreveu esta história para que as pessoas pudessem entender a força de uma idéia, este Noel, não é só um Bom Velhinho de barbas brancas que vem no Natal nos dar presentes se nós formos bonzinhos... Este Noel é o Espírito de Liberdade que salvou o homem nas grandes guerras, que impetrou ideologias nas cabeças dos grandes revolucionários, é o espírito da liberdade de escolha do Homem que se personifica na esperança de Noel e no pedido dos filhos dos homens-novos de que a guerra terminasse.
Nós, eu e a minha geração, somos os filhos destes meninos que queriam o fim da guerra, mas o espírito que fecundou a mente de nossos pais, e talvez até mesmo de alguns dos pais deles, esta morrendo, não existem mais idealistas e o negrume do rancor dos homens-novos esta voltando e imperar nas mentes jovens, prestem atenção na falta de limites dos meninos que batem em pessoas nas ruas...
O Natal esta chegando novamente, e eu não tenho mais quem me conte esta história, eu gostaria que Esta Geração não perdesse o encantamento e a magia das Histórias de Natal e ao invés de cortarem as raízes lúdicas de suas crianças, contando a elas que Noel não existe, contassem sim a elas esta história para que Noel não morra nunca neles, e nem em cada um de nós, meninos.
Déborah de Macedo Souza, filha do menino.































