segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Uma história de natal e dos Meninos e de Esperança...

Quando disserem que Noel não existe, e se realmente acreditarem nisto, a esperança em vosso coração estará quase morrendo...
Então perguntem a um menino se Noel realmente existe...
Os meninos sabem tudo!

Quem sabe quando foi a primeira vez que um menino ganhou um presente, seja por mérito ou simplesmente por ter sido escolhido para ser agraciado.
Quando foi que o primeiro pai ou avo teceu com carinho um brinquedo para uma criança querida?
Antes talvez até que a Lenda de Noel, O Bom Velhinho...
Antigamente era mais fácil ser Noel, quando o brinquedo, quem fazia era o pai ou o avo, o brinquedo feito á mão, cavalinho de pau, carrinho de madeira, bonecas de pano.
Mas foi com a revolução Industrial que houve uma grande evolução e os presentes já não eram mais tão simples assim.
A fantasia trazida pelo circo exigia de Noel maior engenhosidade para fazer bicicletas, tambores coloridos e tantas outras coisas mais.
Foi com a primeira guerra mundial que Noel chorou pela primeira vez, pois os meninos queriam tanques, aviões e bazucas... Era de partir o coração do Bom Velhinho, mas ele tinha que fazer e fazia, fazia e chorava, pois ele sabia que os pais dos meninos muitas vezes morriam ou ficavam mutilados, mas para evitar maior tristeza Noel os fazia.
Depois que acabou a guerra, Noel já cansado de ver morte e destruição esperou paciente até os homens acharem novamente o caminho, então Noel começou a entregar uns presentes, aparecia ora aqui, ora ali, entregando presentes no natal dos ricos, dos menos pobres, mas Noel não estava contente, pois tinha que muitas vezes passar ao largo nas casas de meninos pobres, mas que bem mereciam ganhar seus presentes, mas ele não podia os dar, pois a miséria no mundo foi crescendo, pela opressão do dinheiro e das oportunidades que eram poucas, Noel estava mais uma vez triste e impossibilitado de fazer o que mais gostava que era entregar belos presentes no natal aos meninos que se comportavam bem.
Os anos foram passando e os meninos cresceram e se tornaram homens, alguns destes homens-novos sempre quiseram que Noel os tivesse dado presentes, brinquedos ou que ao menos Noel trouxesse seus pais de volta, então estes homens-novos começaram a ver o mundo que eles nunca tiveram e ficaram com ciúme dos meninos bem sucedidos, viam carros, trens, aviões, viam o luxo e o poder. Noel sabia que estes homens-novos viriam a causar transtorno, Noel já havia visto outros meninos que não ganharam presentes no natal... Noel sabia. Os homens-novos então resolveram tomar a força o que não ganharam ganho, mais uma vez houve guerra, os lindos trenzinho, as bonecas e as bolas coloridas, dariam lugar outra vez aos tanques e as metralhadoras, Noel mais uma vez ficou arrasado.
Em algumas regiões os homens-novos já haviam tentado matar Noel para sempre uma vez. Durante esta nova guerra, Noel ficou em silêncio, poucos meninos teriam seus presentes, em algumas casas ele simplesmente se recusou a entregar brinquedos de guerra, os homens0novos também tinham seus meninos, e estes meninos, por sua vez, também viram seus pais morrerem, explodirem as casas de outros meninos, então estes filhos dos homens-novos se dividiram em duas partes, uma parte ouviu o pedido de Noel. Cessou a guerra e Noel ficou contente!
Pelo menos por um tempo. Os anos passaram e outra vez os meninos puderam sonhar com a meia recheada de doces, musica alegre e brinquedos!
Noel estava exultante! Os homens-novos estavam todos eufóricos eles inventavam uma coisa nova todo dia! Foguetes espaciais, televisão, skate!
Noel iria ficar famoso mesmo!
Noel estava contente mesmo e voltou a fazer o que mais gostava, aperfeiçoou mais uma vez sua fabrica de brinquedos, que maravilha. O plástico. Ah! Meninos danados! Estes filhos dos homens-novos eram mesmo meninos espertos!...
Noel sabia que esta alegria não duraria muito tempo, os homens-novos inventaram também uma coisa terrível, estupidamente mortal aqueles homens de antes, do final da guerra, quiseram se vingar dos meninos por terem persuadido Noel a parar a guerra, então tramaram para acabar com todos os meninos de uma única vez, e como se isto não fosse o bastante tentaram colocar a culpa em Noel!
Os homens-novos que nunca ganharam presente jogaram brinquedos coma morte dentro, e os pobres meninos iludidos com o sonho de presentes explodiam pelos ares e caiam doentes. Noel estava em todos os lugares, mas não podia fazer nada, Noel na TV, Noel no shopping center, Noel na China! E nada... Meninos mortos e homens-novos com tanto medo que mesmo vendo Noel por toda parte o ignoravam, pobre Noel, o que ela mais gostava de fazer estava matando os meninos...
Noel decidiu que não iria desistir, Noel não desiste nunca!
Então, num Natal quando eu também era menino, Noel movido por um sentimento que ele mesmo sendo Noel jamais houvera sentido, pegou um presente, o mais lindo dos brinquedos, que ele nunca havia dado a ninguém, chegou como de costume e colocou na arvore feita as escondidas por um menino, filho daqueles homens-novos que nunca haviam ganhado presentes e lhe deu um sonho, um alento, a possibilidade de todos se tornarem meninos como aquele primeiro menino e todos os outro de sempre e sempre, silenciosamente Noel depositou no coração daquele menino, e de todos os outro também!
A Esperança e a Liberdade, e hoje quando você tiver alguma duvida sobre a existência de Noel... Pergunte então a um menino.



Acácio de Macedo Souza
(1965 -2007)


Nada mais sincero que a palavra de um menino.

Meu pai foi um grande idealista e via o mundo sob uma perspectiva diferente da dos meninos de sua geração, ele sonhava e escreveu esta história para que as pessoas pudessem entender a força de uma idéia, este Noel, não é só um Bom Velhinho de barbas brancas que vem no Natal nos dar presentes se nós formos bonzinhos... Este Noel é o Espírito de Liberdade que salvou o homem nas grandes guerras, que impetrou ideologias nas cabeças dos grandes revolucionários, é o espírito da liberdade de escolha do Homem que se personifica na esperança de Noel e no pedido dos filhos dos homens-novos de que a guerra terminasse.

Nós, eu e a minha geração, somos os filhos destes meninos que queriam o fim da guerra, mas o espírito que fecundou a mente de nossos pais, e talvez até mesmo de alguns dos pais deles, esta morrendo, não existem mais idealistas e o negrume do rancor dos homens-novos esta voltando e imperar nas mentes jovens, prestem atenção na falta de limites dos meninos que batem em pessoas nas ruas...
O Natal esta chegando novamente, e eu não tenho mais quem me conte esta história, eu gostaria que Esta Geração não perdesse o encantamento e a magia das Histórias de Natal e ao invés de cortarem as raízes lúdicas de suas crianças, contando a elas que Noel não existe, contassem sim a elas esta história para que Noel não morra nunca neles, e nem em cada um de nós, meninos.




Déborah de Macedo Souza, filha do menino.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Mes enfants

Mes enfants

Je vous appelle“mes enfants”.
ils sont appelles ainsi pour partager
Les mêmes mots et la même couleur des cheveux
Ils divisent aussi mon attention.

Tout la fraîcheur, les rendez-vous, l’infini
Des voix indéfinies et des cheveux foncés.
Tout la magie de la puberte ,
Que je ne comprends pas ,
Et n’est pas mon intention la comprendre

Les armes de feu, les luttes et les folies,
vennent seulement d’eux.
Cette faute d'explication partagé.
Derrière les portes fermées, les intrigues.

Un courage qui je veux avoir.
De regard en regard, du pied á la balle
Á discours enflammes par motifs inattendus.
Toute la futilité que je mérite

Ils sont par les écoles, dans les rues,
Ils sont par les magasins, au parc,
Dans les cafés, chez les librairies, libres.
Alors, sans eux et sans avoir la certitude

Seulement je souhait.
_________________________________________


Minhas crianças

Chamo-os "minhas crianças".
Chamam-se assim por compartilhar
Das mesmas palavras e da mesma cor de cabelo
Dividem também a minha atenção.

Todo o frescor, os encontros, o infinito
Das vozes indefinidas e cabelos escuros.
Toda a magia da puberdade,
Que não compreendo,
E não é a minha intenção compreender.

As armas de fogo, as lutas e as loucuras,
vem apenas deles.
Esta falta de explicação compartilhada.
Atrás de portas fechadas, as intrigas.

Uma coragem que quero ter.
De olhar em olhar, do pé na bola
Á discursos inflamados por motivos inesperados.
Toda a futilidade que mereço.

Estão pelas escolas, nas ruas,
Estão pelas lojas, nos parques,
Nos cafés, nas livrarias, livres.
Então, sem eles e sem ter certeza

Apenas desejo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Caroline

Dentro do escuro. Nada.
Na forma velada
Do seu olhar vazio.

Eu vejo uma muralha muito alta.
E a menina em cima do muro.
Asas se abrem e ela salta,
Salta para dentro do escuro.


, pour tujours .

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Coisas

Sinto balas no morro
Morro
São batalhas no fronte

Sinto medo e morte
Corte
Cabeças certas rolam

Sinto a artéria pulsante
Ante
O carrasco, o morro, a bala

Sinto a terra queimada
Nada
A vala me resta

.

Há luzes, que vistas da minha janela.
Apenas Iluminam e aprimoram a beleza do céu
Eu, eles, nós com a nossa fumaça as apontamos.
Não queremos saber a beleza da causa

Estas luzes, intrínseca teia brilhante,
Bailam na interminável duração de nossa viagem
São como aves coloridas que clamam
Gritos que não chegaram aos nossos ouvidos

Como as luzes que no céu cintilam
São as mãos que nos dão o brilho
Braços generosos, prontos ás dividas.
Que pagaremos com ignoradas vidas

A causa velada dessa claridade baça
Escorre há tempos sob nossos pés
Sabemos sua cor, seu cheiro, seu nome.
Mas a claridade impede de vermos seus/nossos rostos


.

Queridos patrocinadores

È tocante ver suas bandeiras brancas
Quase tão tocante quanto os mortos desta noite,
Quanto o açoite do vento nas esquinas sujas
Ou quanto o choro da mãe do menino que sangra


Eu me encho de muitos sentimentos,
Pelas suas mãos dadas, pelo silêncio.
São como Harpias estes sentimentos,
Fincando através de meus olhos
As garras em sua inocência hipócrita

Movimentos “anti”. Movimentem antes
Suas consciências para o Norte certo
São suas mãos, jovens estudantes.
Que regem o crime contra o qual vocês bradam
As suas mãos, narizes e bocas o sustentam.

Seria tocante levantar suas bandeiras
Se a elas não fosse implícito o sangue
As mortes, a corrupção e o medo.
Que vos aflige tanto e também á mim

.

"Quem poderia estar certo, quando a moral se mede apenas pelo padrão estético imposto ao homem? Cumprido ou não."

sábado, 1 de setembro de 2007

"À Brian de Bois-Guilbert"

Eu me volto
De não ter ido
E louca me revolto
De ter te esquecido

E ao voltar-me
Uso frases complicadas
Farpadas como arame
Emboladas, revisadas

Geralmente pra entreter-te
E ao intento deito o pranto
Após entrever-te
Consciente, me abandonando.

Eu uso frases complicadas
Ao voltar de onde não fui
E sincera mascarada.
Sei que seu Eu não me inclui

Eu.


"Quadérna, o envenenador."

Seus olhos castanhos, molhados e tristes.
Vem alegrar a mesmice do Reino

Quando a dançar feito louco no sereno
Transforma-se no bobo com cajado em riste
Mal sabem que a fome de outrora

É a força da dança de agora
Nem que por uma pequena peça de ouro
Vendeu tua Mãe, teu filho, teu couro.

Oh! Poeta de muitos martírios vãos
Vai deixar sua taça ir ao chão
Ou será para sempre matar pelo pão?

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

"A ponte para..."


Havia uma ponte encantada, atrás dela um novo mundo.
Entre nós o sono eterno, que você dorme e eu não durmo.
Eu tentava segurar a sua mão, mas você fugiu, eu não!

Havia um mundo encantado atrás de uma ponte
Eu tento adivinhar antes que você me conte
As coroas eram duas: Uma minha outra sua.

Havia um encanto em todas aquelas coisas
Que se perdeu derrepente no meio de tantas outras
Eu corri acreditando em sua direção, então descobri: Era só ilusão.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Reisado


Há algum mistério!
A guisa de alegre império.
São os azes, às vezes, talvez... os treze!


Tanta rima e coerência!
Tal espírito de ciência
São os azes, às vezes, talvez... os treze?


Ora tantas quantas vez eu tente,
Nem ao menos algo novo se sente...
São os azes, às vezes, talvez... os treze...


Embora eu não acredite muito nisso,
E você se importe (algo) com isso...
São os azes, às vezes, talvez... os treze!

terça-feira, 31 de julho de 2007

A neblina na montanha

Existe nesse mundo algo igual à neblina,
Sublime, cheia de ar, pronta para ser fio de uma rima?
Sua cor não definida quando reflete a lua
Ilumina tudo que toca, mudando a cor da rua.

As coisas parecem menos coisas, quando tocadas por ela
Transformam-se em coisas maiores tomando a forma dela.
O mundo fica encoberto, em segredo adormecido
Quando a benção divina o cobre com esse tecido.

As dores são menos profundas. Estão bem encobertas
Mesmo que as lembranças insistam em deixar portas abertas
A neblina sublime esconde o que o sonho deixou-se criar
Enredando ele em seu mundo para não termos que olhar...

Os resultados

quinta-feira, 26 de julho de 2007

----Mater Dolorosa----

Segurando a alça daquele do negro caixão de pedra
Vai à mulher de unhas vermelhas marcadas de medo
Dentro dele toda a dor que pesava em seu coração

A menina inconformada, com seu olhar velado
Viu a morte tantas vezes, que perdeu a inocência.
Perdeu o sonho cor-de-rosa de um dia ter amado

Hoje as lagrimas são vermelhas, corriqueiras como o sol.
Fazem-na ver o tom vermelho da morte trágica do amor
Só mostram o que é vermelho das cores do arrebol

Com o sol assim em seus olhos queimando, ascendendo o peito.
O brado de dor é inevitável, pelos filhos, amantes, amores.
Por todos os que morreram no vermelho fogo do estreito

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Para todas as pessoas que morreram neste acidente e nos outros, nas esquinas, nas casas, nas praças, nas alcovas e no fogo.
Para e Por, Ana Paula, que não é pessoa e me fez enxergar após ter visto, e que sofreu com o menino, que chorou com os voos perdidos, que foi a mãe, o filho e os amigos de todos estes que morreram por uma causa injusta: o nada a que nós nos acostumamos.



sábado, 21 de julho de 2007

“Diversão é solução sim! Diversão é solução pra mim” (Titãs).

{1}


Nada.


{2}


"Quase isso"


Dê-me um beijo, meu amor.
Que assim eu entendo esse seu jeito
De bater com força nos problemas
Pra acabar com eles mais facilmente

Dê-me um beijo, meu amor.
Eu devo sentir nele essa sua liberdade
Ou nele ancorar sua ansiedade
Assim você não mata aquele velho

Dê-me um beijo, meu amor.
Pra eu não ter de olhar o horror que você causa
Nas pessoas, nos lugares onde você passa.
Arrasando tudo com essa barbárie 'paga'

Dê-me um beijo, meu amor.
Acaba logo com esse caso
Não é obvio que em outra esquina
Vai ter mais divertimento?

{3}

"Acaso foste?"

Eu vou fechar meus olhos, vou!
Como você anda fazendo, é tão difícil!
Eu vou fechar, para que as lagrimas parem de cair.
È tão sólido quanto a sua falta de amor
Ou quanto à falta da falta que você ainda não sentiu

E vou abrir meus braços, abraçar as mães sem filhos.
Tomar neles os filhos sem pais, sem amigos...
Acalentar. O avesso do que você anda fazendo
Dar o que falta a eles, o que não é parte da sua parte.
O que te falta como humano e sobra como cobrador

Vou de mãos dadas a ninguém gritar ao vento,
Aos palanques, ao povo, ao nada.
Gritar a plenos pulmões que a desgraça que nos sobra
E a falta de amor, que enche e transborda.
Nos filhos que ainda não nasceram e mesmo assim padecem.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Ao cavaleiro vermelho, meu Pai.

Era cor de carmim a espada que ele carregava
Era sonho, era mistério, era um dom, só eu sabia
Um menino grande, um senhor bem novo, um santo e um louco

Era cor de carmim seu castelo na colina
Era pra lá que fugíamos, quando as verdades doíam
Uma vez você falou que nuca me deixaria

Eram cor de carmim sua capa e seu cajado
Era nas coisas mais puras que encontrávamos significado
Um dom jamais repassado: o de ser assim como você

Era cor de carmim o sangue naquela montanha
Era sua ultima campanha, eu era sua "escudeira"
Uma ultima vez e a primeira que não pude fazer nada

Era pra eu ser perdoada.

terça-feira, 10 de julho de 2007

A carta

De tão pequenina
não tinha fim
Passava invisível
Por sobre as fronteiras

Aprendeu a voar
Tomou gosto por asas
Planava solene
Pelas correntes de ar

De tão pequenina
Não tinha destino
Vagava e vagava
Sem ter quem a lesse

Passava tristonha
Sobre as cidades
Imaginado a luz dos olhos
Para os quais foi escrita

De tão pequenina
Por não ter destino
Por não ter fim

Pousou o seu pranto
Nas mãos pequeninas
Que não a sabiam ler
Às Ondas

Se for o Homem que compartilha em mim
Dos ventos torpes e das paixões sem fim
È no teu porto que encontro abrigo
Em tua fala branda, em teu olhar amigo

Se o que eu tenho já não é mais meu
E o que eu tinha passa a ser seu
É no teu porto que encontro abrigo
No balançar de seu braço amigo

E quando as ondas nos desfizerem
E o que tínhamos elas tiverem
È o teu porto meu horizonte
Haverá versos p'ra que se conte

quarta-feira, 27 de junho de 2007

"Um encontro de amor é jornada finda" (William Shakespeare)

' fuga para o Vau( ou seja corrida para se jogar na agua raza e fria sem ganhar nada)

Ceder, ceder, ceder
Se afogar nestes escombros
Até a alma afundar

Isso já tá ficando chato
Sem raiz
Sem teto

Tem sempre uma musiquinha
Ela nunca quer dizer nada
Fica remoendo a mesma besteira

Correr, corre, correr
Quebrar todas as pedras
Em todas as barreiras

Isso já ficou muito dolorido
Sem cura
Sem começo

Tem sempre uma história parecida
mas que nunca tem semelhança
São só tentativas de consolo mal sucedidas

...

"Sobre os raios de Sol"

Parece fácil dizer que eles esquentam
Não quando é dessa terra que nós falamos

Os raios de sol queimam
Numa tarde de inverno
O único lugar
Em cima do telhado

Eles são responsáveis por danos terríveis
No meio daquela rua
Todos aqueles rostos
Nenhum movimento

E só aumentam o buraco da camada
Uma cor ofuscante
O som estalado
Uma dor sem causa

Mas ainda assim mantém a vida
Desejos que não se cruzam
Planos mal arquitetados
Muitas noites á travesseiro

...

"Seca"


quarta-feira, 6 de junho de 2007

"Ir aos bosques"

Da vida de de enquanto vivermos
Quero encontrar-me na essência
Abrir rasgos profundos
Ferir a alma como fogo

Da vida e de enquanto vivermos
Quero me despojar do silencio
Quero sangrar todo o medo
Quero cortar as cordas

Da vida e de enquanto vivermos
Vou descer aos bosques
Caminhar até a nascente
E beber toda a verdade


À Camões
À Toureau

" A continuação, enquanto há tempo"

{1}

Fim... de novo...e novo

Cof, cof chama a Morte
Olhos arregalados
soluços incessantes

Toc, toc batem á porta
Saco de soro
Seringa, calmante

Ela vem caminhando
Insolente, doce, bem vinda
Destas paragens é a rainha
Seus passos atormentam a lua
Seus comensais sentinelam os quartos
Seus suspiros embalam as vidas

Clap, clap batem palmas
Frio cortante
Sonhos gelados

Plic, plic rolam lágrimas
Os nossos Filhos
Os nossos Pais

{2}

Os Eles

Eles vendem quando dão
O pagamento são orações e penitencias
O pagamento é a fé cega

Nós compramos quando eles vendem
Compramos a certeza
Compramos as ilusões em papel brilhante

O resto de tudo isso perdura
Como feridas que não cicatrizam
Como uma dor que santifica.

À Pessoa.

"Uma pequena parte dos inteiros dias de agora"

{1}

Ambulâncias

Branco, preto, amarelo
As sirenes ligadas
Soldados de um mesmo destino

Branco, preto, amarelo
Cores que se fundem
Num turbilhão

Barulho, sangue, destino

Homens que se fundem
No rompante de um segundo
Para selar nosso destino


Á Eles.

{2}

A geração dos 3 zeros

Eu perdi o raciocínio!
É engraçado o que a gente aprende
São pelo menos 13 anos de TV

Quanta mentira meu amor, quanta!
Traição, julgamento e culpa
E uma vontade enorme de ser assim

Isso já foi previsto
Os irmãos de grande irmão
Crianças más e medonhas

Personalidade defeituosa
Carater indefinido
Esperança anestesiada

"Os filhos da Televisão
Mente vazia
Pipoca na mão"

Ás conversas com Pedro ( e á geração perdida dos meus primos)

terça-feira, 29 de maio de 2007

" Do dia da Terra parada e 429Km"," uma farça em dois tempos com uma junção inesperada ao final"


{1}

Ainda era cedo , ou tarde, era a tarde.
Tinha sol, vento e estas coisas de outono.
O tempo era manso como tinha que ser,
Tinha folhas, gatos, uma velha na janela...

Estas caras de outono.

Andávamos pela rua eu acompanhada,
Ele só, tinha um ar de outono,
Um ar tão seu que lhe emprestava o nome.
A cor dos cabelos era sempre a mesma.

Estas cores que vem com o outono.

E os ventos, ventos malcriados!
Insistiam em nos balançar a cabeça,
Eles sempre brincavam assim,
Um com o outro, os dois sozinhos, sem mim!

As brincadeiras de outono.

Sempre foi minha primeira escolha,
Nascer aqui, fugir pra lá, ficar.
No outono as ruas são iluminadas
O sol nunca mais nos esquentou.

São as tristezas e felicidades que oportunamente param o mundo no outono.

{2}

Esta tudo escrito vejam os críticos, os melhores de todos.
Ela esta lá, e ninguém que me prove o contrario!
São 429 Km, contados a fio de cabelo.

Quem a colocou ali?Resposta certa eu não tenho.
Acho que foram uns tais Padres que vieram de Portugal.
Numa nal, caravela, catequizar uns tais índios...

Será mesmo tudo isso? A distância é quase o céu!
Colocaram aquilo tudo num pedaço de papel?
Como já diria Você, se eu pudesse eu bebia.

Colocando os dois num tonel,
Não sobrava nem enchia,
Sempre falta quando é bom!

Se eu pudesse desse sonho algum dia ter verdade,
Mergulhava minha vida na alma dessa cidade,
E seria como seus caibros: bloco, cal e saudade.

{3}

A cor do céu de suas ruas
Enche o ar de beleza
No outono te ver nua
Despida da realeza

É quando esta mais que bela
Perfeita em sua luz
Sua cara, cidade
A ouro e fogo reluz

Nem saudade é tão grande
Quanto o que eu tenho sentido
Recebe de braços abertos
A alma do teu filho aflito

Soberana Cheia do Sol
Cidade da minha vida
Rasga de luz os meus olhos
Uma vez mais e ainda

Á São Paulo, ao Outono e a Mim.


Deborah.


Para Sempre.




Sempre para, sempre!




Para!




Separa,




Sem parar.




Sempre!




Parar?




Se parar...


"______{¨*¨}______"


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi:
não soube que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
Pablo Neruda

"Verso e eu"( Para uma estrada de pedras)

Brilha, brilha

No escuro

Nós estamos todos sós



Nem o Sol

Nem o Diluvio

Não terão pena de nós



Se largados no caminho

Vasto,vasto de doer

Eu e ele tão sozinhos



Esquecemos de crescer!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

"Mentira"( o que tiramos da mente)


Fica escondido
Embaixo do travesseiro
Embaixo do telhado
Embaixo do céu

Fica estabelecido
Que é de mentirinha
Que é de verdadinha
Que é o que eu queria

Fica suposto
Não é de bom gosto
Não é de bom tom
Não é de bom agouro

Fica subentendido
Seria bonito
Seria sincero
Seria um escândalo

Fica na vontade
Fica na saudade
Fica na história
Fica sonhado


... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

terça-feira, 1 de maio de 2007

terça-feira, 17 de abril de 2007

Pablo Neruda

(Klimt)
Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.Nega-me o pão, o ar,
a luz, a Primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O Medo


Em verdade temos Medo.
Nascemos no escuro.
As existências são poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o Medo.
Cheiramos flores de Medo.
Vestimos panos de Medo.
De medo, vermelhos rios
Vadeamos
Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,
Este célebre sentimento,
E o amor faltou: chovia,
Ventava, fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo...

Nevava.
O medo, com sua capa,
Nos dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
Meu companheiro moreno.
De nos, de vós, e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
Vem ó terror das estradas,
Susto na noite, receio
De águas poluídas.Muletas
Do homem só.
Ajudai-nos, lentos poderes do Láudano.
Até a canção medrosa se parte,
Se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
Duros tijolos de medo,
Medrosos caules, repuxos,
Ruas só de medo, e calma.
E com asas de prudência
Com resplendores covardes,
Atingiremos o cimo
De nossa cauta subida.
O medo com sua física,
Tanto produz: carcereiros,
Edifícios, escritores,
Este poema,
Outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
Recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,
Eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
Dançando o baile do medo.

(Drummond)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

"Jour du baiser"


Menininha do Portão - Maria Rita


Menininha sai do portão
Vem também brincar

Vem pra roda

Me dê a mão

Traz o seu olhar

Vou girando na roda

Vou cantando à sua espera

Quem me dera um dia

Ter seus olhos

Cor de primavera

Todo o dia no seu portão

Vejo o seu olhar

Bate forte meu coração

Mas não sei contar

E eu pego a viola

Faço um verso feito um trovador

Quem sabe, então

Você me dê...

Me dê o seu amor
Minininha...

Primavera - Botticelli

A tal luz – ó Canção, que ousaste! -,
vendo estás já prostrado
Saturno triste, Júpiter irado,
bravo Marte, áureo Apolo, Vénus bela,
e Mercúrio, e Diana, e toda estrela.

(Camões)

quinta-feira, 12 de abril de 2007

" La Belle Époque Carioca "

Confeitaria Colombo ... è linda!

Doce Riso Risos soltos,
cores disformes e
lindas nesta viagem.

A falsa rosa na TV.
Quero fugir daqui e
dormir com você.

(Doce riso, Guto Graça)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

SONETO DO DESMANTELO AZUL

...
Van Gogh
Starry Night
SONETO DO DESMANTELO AZUL
.
.
Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,
.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
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E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
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E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
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Carlos Pena Filho
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terça-feira, 10 de abril de 2007

Boi de Haxixe

Zeca Baleiro


Meu bem eu cheguei agora
mais eu te peço tú não vá chorar
Por favor, me dê a sua mão
Entra no meu cordão
Venha participar

Quando piso em flores
Flores de todas as cores
Vermelho sangue, verde-oliva, azul colonial
Me dá vontade de voar sobre o planeta
Sem ter medo da careta
Na cara do temporal
Desembainho a minha espada cintilante
Cravejada de brilhantes
Peixe-espada vou pro mar
O amor me veste com o terno da beleza
E o saloon da natureza
Abre as portas preu dançar

Diz o que tu quer que eu dou
Se tu quer que eu vá eu vou

Meu bem meu bem-me-quer
Te dou meu meu não
Um céu cheio de estrelas
Feitas com caneta bic num papel de pão

Meu bem eu cheguei agora
Mais eu te peço tu não vá chorar
Por favor, me a sua mão
Entra no meu cordãoVenha Participar


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quarta-feira, 4 de abril de 2007

La Grand Voyage du Marquis du Pindorama

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"Voyage Voyage"
Desireless


Au dessus des vieux volcans,

Glisse des ailes sous les tapis du vent,

Voyage, voyage,Eternellement.

De nuages en marécages,

De vent d'Espagne en pluie d'équateur,

Voyage, voyage,Vole dans les hauteurs

Au dessus des capitales,

Des idées fatales,

Regarde l'océan...

Voyage, voyage

Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Dans l'espace inouï de l'amour.

Voyage, voyage

Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Et jamais ne revient.

Sur le Gange ou l'Amazone,

Chez les blacks, chez les sikhs, chez les jaunes,

Voyage, voyage

Dans tout le royaume.

Sur les dunes du Sahara,

Des iles Fidji au Fujiyama,

Voyage, voyage,

Ne t'arrêtes pas.

Au dessus des barbelés,

Des coeurs bombardés,

Regarde l'océan.

Voyage, voyage

Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Dans l'espace inouï de l'amour.

Voyage, voyage

Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Et jamais ne revient.

Au dessus des capitales,

Des idées fatales,

Regarde l'océan.

Voyage, voyage

Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Dans l'espace inouï de l'amour.

Voyage, voyage Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien,

(voyage voyage)

Voyage (voyage)
Et jamais ne revient...
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Ao voô do Marquês de Pindorama.
80 Dias...

quarta-feira, 21 de março de 2007

"O que acontecer com a Terra,recairá sobre os filhos da Terra.Há uma ligação em tudo."

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No ano de 1854,o Presidente dos estados Unidos fez a uma tribo indígena a proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em contrapartida , a concessão de uma outra "reserva".
O texto da resposta do Chefe Seatle,distribuído pela ONU e aqui publicado na integra, tem sido considerado, através dos tempos, um dos mais belos e profundo pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente.
"Como é que se pode comprar ou vender o céu,o calor da terra? Essa ideia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água,como é possível comprá-los?
cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra: na floresta densa,cada clareira e insecto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo as árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra , pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. as flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos húmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem á mesma família.
Portanto, quando o grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos não e apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos nossa terra,vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede . Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhe vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. e, portanto, você devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro e vem á noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para traz os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria dos seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos, Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, ou vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra deixando somente um deserto.
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja pro que o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater da asa de um insecto. Mas talvez seja por que eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. e o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debata de sapos ao redor de uma lagoa, á noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento,limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros .
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilhamos o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente este ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembra que o ar é precioso,para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu ao nosso avô seu primeiro inspirar também recebeu seu último suspiro. Se lhes vender-mos nossa terra,vocês devem mante-la intacta e sagrada, como um lugar onde até o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pela floresta dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais da terra como seu irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branca que os alvejou de um ter ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como e fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para nos manter vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, em breve acontece com os homens. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar ás sua crianças que o solo a seus pés e a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam aos seus filhos que ela foi enriquecida com a vida de nosso povo. ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer á terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isso sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence á terra. Isto sabemos; todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que acontecer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida;ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode ser isento de um destino comum.
È possível que sejamos irmãos apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: osso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra;mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar seu criador. Os também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos.
Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos seus próprios dejectos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente iluminados pela força do Deus que os trouxe a essa terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é mistério pra nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, Os cavalos bravos sejam domados, os recantos secretos da floresta dessa impregnado do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídas por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência".