terça-feira, 31 de julho de 2007

A neblina na montanha

Existe nesse mundo algo igual à neblina,
Sublime, cheia de ar, pronta para ser fio de uma rima?
Sua cor não definida quando reflete a lua
Ilumina tudo que toca, mudando a cor da rua.

As coisas parecem menos coisas, quando tocadas por ela
Transformam-se em coisas maiores tomando a forma dela.
O mundo fica encoberto, em segredo adormecido
Quando a benção divina o cobre com esse tecido.

As dores são menos profundas. Estão bem encobertas
Mesmo que as lembranças insistam em deixar portas abertas
A neblina sublime esconde o que o sonho deixou-se criar
Enredando ele em seu mundo para não termos que olhar...

Os resultados

quinta-feira, 26 de julho de 2007

----Mater Dolorosa----

Segurando a alça daquele do negro caixão de pedra
Vai à mulher de unhas vermelhas marcadas de medo
Dentro dele toda a dor que pesava em seu coração

A menina inconformada, com seu olhar velado
Viu a morte tantas vezes, que perdeu a inocência.
Perdeu o sonho cor-de-rosa de um dia ter amado

Hoje as lagrimas são vermelhas, corriqueiras como o sol.
Fazem-na ver o tom vermelho da morte trágica do amor
Só mostram o que é vermelho das cores do arrebol

Com o sol assim em seus olhos queimando, ascendendo o peito.
O brado de dor é inevitável, pelos filhos, amantes, amores.
Por todos os que morreram no vermelho fogo do estreito

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Para todas as pessoas que morreram neste acidente e nos outros, nas esquinas, nas casas, nas praças, nas alcovas e no fogo.
Para e Por, Ana Paula, que não é pessoa e me fez enxergar após ter visto, e que sofreu com o menino, que chorou com os voos perdidos, que foi a mãe, o filho e os amigos de todos estes que morreram por uma causa injusta: o nada a que nós nos acostumamos.



sábado, 21 de julho de 2007

“Diversão é solução sim! Diversão é solução pra mim” (Titãs).

{1}


Nada.


{2}


"Quase isso"


Dê-me um beijo, meu amor.
Que assim eu entendo esse seu jeito
De bater com força nos problemas
Pra acabar com eles mais facilmente

Dê-me um beijo, meu amor.
Eu devo sentir nele essa sua liberdade
Ou nele ancorar sua ansiedade
Assim você não mata aquele velho

Dê-me um beijo, meu amor.
Pra eu não ter de olhar o horror que você causa
Nas pessoas, nos lugares onde você passa.
Arrasando tudo com essa barbárie 'paga'

Dê-me um beijo, meu amor.
Acaba logo com esse caso
Não é obvio que em outra esquina
Vai ter mais divertimento?

{3}

"Acaso foste?"

Eu vou fechar meus olhos, vou!
Como você anda fazendo, é tão difícil!
Eu vou fechar, para que as lagrimas parem de cair.
È tão sólido quanto a sua falta de amor
Ou quanto à falta da falta que você ainda não sentiu

E vou abrir meus braços, abraçar as mães sem filhos.
Tomar neles os filhos sem pais, sem amigos...
Acalentar. O avesso do que você anda fazendo
Dar o que falta a eles, o que não é parte da sua parte.
O que te falta como humano e sobra como cobrador

Vou de mãos dadas a ninguém gritar ao vento,
Aos palanques, ao povo, ao nada.
Gritar a plenos pulmões que a desgraça que nos sobra
E a falta de amor, que enche e transborda.
Nos filhos que ainda não nasceram e mesmo assim padecem.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Ao cavaleiro vermelho, meu Pai.

Era cor de carmim a espada que ele carregava
Era sonho, era mistério, era um dom, só eu sabia
Um menino grande, um senhor bem novo, um santo e um louco

Era cor de carmim seu castelo na colina
Era pra lá que fugíamos, quando as verdades doíam
Uma vez você falou que nuca me deixaria

Eram cor de carmim sua capa e seu cajado
Era nas coisas mais puras que encontrávamos significado
Um dom jamais repassado: o de ser assim como você

Era cor de carmim o sangue naquela montanha
Era sua ultima campanha, eu era sua "escudeira"
Uma ultima vez e a primeira que não pude fazer nada

Era pra eu ser perdoada.

terça-feira, 10 de julho de 2007

A carta

De tão pequenina
não tinha fim
Passava invisível
Por sobre as fronteiras

Aprendeu a voar
Tomou gosto por asas
Planava solene
Pelas correntes de ar

De tão pequenina
Não tinha destino
Vagava e vagava
Sem ter quem a lesse

Passava tristonha
Sobre as cidades
Imaginado a luz dos olhos
Para os quais foi escrita

De tão pequenina
Por não ter destino
Por não ter fim

Pousou o seu pranto
Nas mãos pequeninas
Que não a sabiam ler
Às Ondas

Se for o Homem que compartilha em mim
Dos ventos torpes e das paixões sem fim
È no teu porto que encontro abrigo
Em tua fala branda, em teu olhar amigo

Se o que eu tenho já não é mais meu
E o que eu tinha passa a ser seu
É no teu porto que encontro abrigo
No balançar de seu braço amigo

E quando as ondas nos desfizerem
E o que tínhamos elas tiverem
È o teu porto meu horizonte
Haverá versos p'ra que se conte