terça-feira, 17 de abril de 2007

Pablo Neruda

(Klimt)
Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.Nega-me o pão, o ar,
a luz, a Primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O Medo


Em verdade temos Medo.
Nascemos no escuro.
As existências são poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o Medo.
Cheiramos flores de Medo.
Vestimos panos de Medo.
De medo, vermelhos rios
Vadeamos
Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,
Este célebre sentimento,
E o amor faltou: chovia,
Ventava, fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo...

Nevava.
O medo, com sua capa,
Nos dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
Meu companheiro moreno.
De nos, de vós, e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
Vem ó terror das estradas,
Susto na noite, receio
De águas poluídas.Muletas
Do homem só.
Ajudai-nos, lentos poderes do Láudano.
Até a canção medrosa se parte,
Se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
Duros tijolos de medo,
Medrosos caules, repuxos,
Ruas só de medo, e calma.
E com asas de prudência
Com resplendores covardes,
Atingiremos o cimo
De nossa cauta subida.
O medo com sua física,
Tanto produz: carcereiros,
Edifícios, escritores,
Este poema,
Outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
Recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,
Eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
Dançando o baile do medo.

(Drummond)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

"Jour du baiser"


Menininha do Portão - Maria Rita


Menininha sai do portão
Vem também brincar

Vem pra roda

Me dê a mão

Traz o seu olhar

Vou girando na roda

Vou cantando à sua espera

Quem me dera um dia

Ter seus olhos

Cor de primavera

Todo o dia no seu portão

Vejo o seu olhar

Bate forte meu coração

Mas não sei contar

E eu pego a viola

Faço um verso feito um trovador

Quem sabe, então

Você me dê...

Me dê o seu amor
Minininha...

Primavera - Botticelli

A tal luz – ó Canção, que ousaste! -,
vendo estás já prostrado
Saturno triste, Júpiter irado,
bravo Marte, áureo Apolo, Vénus bela,
e Mercúrio, e Diana, e toda estrela.

(Camões)

quinta-feira, 12 de abril de 2007

" La Belle Époque Carioca "

Confeitaria Colombo ... è linda!

Doce Riso Risos soltos,
cores disformes e
lindas nesta viagem.

A falsa rosa na TV.
Quero fugir daqui e
dormir com você.

(Doce riso, Guto Graça)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

SONETO DO DESMANTELO AZUL

...
Van Gogh
Starry Night
SONETO DO DESMANTELO AZUL
.
.
Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,
.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
.
E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
.
E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
.
.
Carlos Pena Filho
...

terça-feira, 10 de abril de 2007

Boi de Haxixe

Zeca Baleiro


Meu bem eu cheguei agora
mais eu te peço tú não vá chorar
Por favor, me dê a sua mão
Entra no meu cordão
Venha participar

Quando piso em flores
Flores de todas as cores
Vermelho sangue, verde-oliva, azul colonial
Me dá vontade de voar sobre o planeta
Sem ter medo da careta
Na cara do temporal
Desembainho a minha espada cintilante
Cravejada de brilhantes
Peixe-espada vou pro mar
O amor me veste com o terno da beleza
E o saloon da natureza
Abre as portas preu dançar

Diz o que tu quer que eu dou
Se tu quer que eu vá eu vou

Meu bem meu bem-me-quer
Te dou meu meu não
Um céu cheio de estrelas
Feitas com caneta bic num papel de pão

Meu bem eu cheguei agora
Mais eu te peço tu não vá chorar
Por favor, me a sua mão
Entra no meu cordãoVenha Participar


...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

La Grand Voyage du Marquis du Pindorama

. . .



"Voyage Voyage"
Desireless


Au dessus des vieux volcans,

Glisse des ailes sous les tapis du vent,

Voyage, voyage,Eternellement.

De nuages en marécages,

De vent d'Espagne en pluie d'équateur,

Voyage, voyage,Vole dans les hauteurs

Au dessus des capitales,

Des idées fatales,

Regarde l'océan...

Voyage, voyage

Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Dans l'espace inouï de l'amour.

Voyage, voyage

Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Et jamais ne revient.

Sur le Gange ou l'Amazone,

Chez les blacks, chez les sikhs, chez les jaunes,

Voyage, voyage

Dans tout le royaume.

Sur les dunes du Sahara,

Des iles Fidji au Fujiyama,

Voyage, voyage,

Ne t'arrêtes pas.

Au dessus des barbelés,

Des coeurs bombardés,

Regarde l'océan.

Voyage, voyage

Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Dans l'espace inouï de l'amour.

Voyage, voyage

Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Et jamais ne revient.

Au dessus des capitales,

Des idées fatales,

Regarde l'océan.

Voyage, voyage

Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)

Voyage (voyage)

Dans l'espace inouï de l'amour.

Voyage, voyage Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien,

(voyage voyage)

Voyage (voyage)
Et jamais ne revient...
.
.
.
Ao voô do Marquês de Pindorama.
80 Dias...