terça-feira, 29 de maio de 2007
" Do dia da Terra parada e 429Km"," uma farça em dois tempos com uma junção inesperada ao final"
{1}
Ainda era cedo , ou tarde, era a tarde.
Tinha sol, vento e estas coisas de outono.
O tempo era manso como tinha que ser,
Tinha folhas, gatos, uma velha na janela...
Estas caras de outono.
Andávamos pela rua eu acompanhada,
Ele só, tinha um ar de outono,
Um ar tão seu que lhe emprestava o nome.
A cor dos cabelos era sempre a mesma.
Estas cores que vem com o outono.
E os ventos, ventos malcriados!
Insistiam em nos balançar a cabeça,
Eles sempre brincavam assim,
Um com o outro, os dois sozinhos, sem mim!
As brincadeiras de outono.
Sempre foi minha primeira escolha,
Nascer aqui, fugir pra lá, ficar.
No outono as ruas são iluminadas
O sol nunca mais nos esquentou.
São as tristezas e felicidades que oportunamente param o mundo no outono.
{2}
Esta tudo escrito vejam os críticos, os melhores de todos.
Ela esta lá, e ninguém que me prove o contrario!
São 429 Km, contados a fio de cabelo.
Quem a colocou ali?Resposta certa eu não tenho.
Acho que foram uns tais Padres que vieram de Portugal.
Numa nal, caravela, catequizar uns tais índios...
Será mesmo tudo isso? A distância é quase o céu!
Colocaram aquilo tudo num pedaço de papel?
Como já diria Você, se eu pudesse eu bebia.
Colocando os dois num tonel,
Não sobrava nem enchia,
Sempre falta quando é bom!
Se eu pudesse desse sonho algum dia ter verdade,
Mergulhava minha vida na alma dessa cidade,
E seria como seus caibros: bloco, cal e saudade.
{3}
A cor do céu de suas ruas
Enche o ar de beleza
No outono te ver nua
Despida da realeza
É quando esta mais que bela
Perfeita em sua luz
Sua cara, cidade
A ouro e fogo reluz
Nem saudade é tão grande
Quanto o que eu tenho sentido
Recebe de braços abertos
A alma do teu filho aflito
Soberana Cheia do Sol
Cidade da minha vida
Rasga de luz os meus olhos
Uma vez mais e ainda
Á São Paulo, ao Outono e a Mim.
Deborah.
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